Gosto desse jeito de gostar. Gosto de ver a harmonia de gostar e ser gostado. Gostar daquele gostar por simples gosto de efeto, de amor. Gosto de simplicidade, da humildade. Do engordurado de gostar da gostosura que é gostar. É que é regra, é filosofia. Sabores de gostos diferentes que jamais experimentaria. Pode-se dizer que é até nostalgia. Gostoso gostar não? Gostoso nosso simples jeito de amar, de deixar rolar, é como um onda no mar. Tranzendo aquela esperança de gostar. Gostar do não gostável, do inesgotável, possibilidade de ser até algo agradável.Gostar por gostar. Não por obrigação de redundar. Gostar desse jeito em vão, que vem lá de dentro. Daquele jeito. Sem possibilidade de explicação.
O que importa é a forma como a gente viveu e vive um sentimento. Não importa que nome ele tenha. Não importa se é um amor, um estar apaixonado, um gostar. O que importa é querer que aconteça. O que importa é querer que seja bom. Não importa se vai durar um dia ou uma vida inteira.
Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a eu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas. Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez. Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso. Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o fato de serem como são e ninguém poder fazer nada. Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se vêem, não sabem como são. Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem.